A lenda ou mito da corda amarrada ao sacerdote durante a ministração no Tabernaculo

A corda amarrada na cintura do sumo sacerdote no momento em que ele entra no lugar santo dos santos para ministrar; É muito comum os pregadores falarem isso, sites da Internet mostrarem essa teoria e até mesmo em comentários de livros bíblicos explicarem dessa forma que os sumo sacerdotes levava uma corda amarrada à cintura quando por motivos de serviço religioso entravam no Santo dos Santos.

A razão desse costume era a imaginação de que se o sacerdote morresse no interior do santo dos santos poderia ser resgatado seu corpo caso fosse consumido pela ira divina o que não tem fundamento bíblico já que o sumo sacerdote se purificava antes de entrar no santo dos santos.

Diferente do que acontece depois do sacrifício de Jesus, naquela ocasião transferia-se o pecado para o animal e o mesmo era morto encobrindo assim o pecado e então o pecador estava livre daquele pecado e assim poderia seguir com o restante da ação a qual fazia parte do contesto dessa realização, hoje porem não basta você pedir perdão, transferir a culpa e tudo esta resolvido, e necessário, no entanto que aja uma mudança interior só então o pecador estará limpo para prosseguir.

Pois bem, essa história, além de modificada, vem do Zohar, um escrito judaico o qual surgiu na Espanha por volta do século XIII, cujo conteúdo é extremamente MÍSTICO. Nele está escrito assim: Uma corrente foi amarrada aos pés do Sumo Sacerdote quando ele entrou no Santo dos Santos, de modo que, se ele morrer lá, eles o tirarão, pois é proibido entrar lá. Como eles sabiam se ele estava vivo ou não? Por uma tira de cor carmesim. Se sua cor não se tornasse branca, era conhecido naquele tempo que o padre estava lá em pecado. E se ele saísse em paz, era conhecido e reconhecido pela cinta carmesim que ficava branca… Se não… todos sabiam que a oração deles não era aceita.

Entretanto a maioria dos estudiosos do Antigo Testamente, cito o Dr. WE Nunally , professor de hebraico e judaísmo antigo e outros afirmam que é isso não passa de uma lenda e mito. Ele destaca que esse costume “não é encontrado em nenhuma fonte antiga, incluindo a Bíblia hebraica, o Novo Testamento, os Manuscritos do Mar Morto, Flávio Josefo [historiador judeu do primeiro século], os apócrifos, a Mishnah, o Talmude babilônico ou o Talmude de Jerusalém”. No entanto “A corda amarrando ao sumo sacerdote é apenas uma lenda”. Ela tem origens obscuras na Idade Média e continua sendo ensinada de forma errônea.

Existe a teoria de que se tratava de um “cinto” que dava um complemento na Vestimenta Sacerdotal. O uso desse cinto que passou a fazer parte das mais variadas maneiras ate nossos dias atuais. Trata-se de costume adotado por Certa Ordem Católica Franciscana.

No entanto o livro de Levítico 16: 3, “Isto é o que Arão deve trazer ao entrar no lugar santo: um novilho como oferta pelo pecado e um carneiro para holocausto. No versículo 4 Ele deve usar a sagrada veste comprida de linho, e os calções de linho devem cobrir sua nudez. Deve amarrar a faixa de linho na cintura e o turbante de linho na cabeça. São vestes sagradas. Ele se banhará em água e as vestirá.

Portanto fica aqui a observação, indicando que nada disto está escrito nos livros sagrados, e não passa de lendas antigas que ilustravam a compreensão e o desempenho do serviço sacerdotal do sumo sacerdote no serviço desempenhado no Templo.

Podemos concluir nesse caso que essa teoria vai na contramão do Texto Bíblico pelo qual somos informados com todos os detalhes quais objetos o sumo sacerdote teria que usar no ritual do perdão (Ex 28 e Lv 16). O grande comentarista do judaísmo, Flávio Josefo (37-103 d.C), não fala nada a respeito da prática do livro místico, mesmo tendo sido sacerdote em Jerusalém.

Contudo, ainda que algum historiador ou comentarista, inclusive o respeitável Josefo, tivesse baseado o seus estudos em Zohar, (Zohar é uma coleção de comentários sobre a Torah), tal fonte não deveria ter qualquer credibilidade da parte da Igreja, pois, as Escrituras, é clara como o sol quando diz que o sumo sacerdote, antes de adentrar no Santo dos santos para fazer expiação pelos pecadores, se purificava (Lv 16.4), quer dizer, garantia sua entrada em estado de “pureza” para depois fazer sua expiação diante de Deus, o que já descarta totalmente a tal entrada em pecado.

Mas se em caso de mal subido (um infarto) como ele seria retirado do Lugar Santíssimo se era permitido apenas ao sumo sacerdote estar na Tenda, conforme (Lv 16.17)? É uma pergunta oportuna e merece uma resposta lógica. A resposta está no próprio versículo e na lógica do ritual:

Nenhum homem estará na tenda da congregação quando ele entrar para fazer propiciação no santuário, até que ele saia depois de feita a expiação por si mesmo, e pela sua casa, e por toda a congregação de Israel.

“Até que ele saia” é isso que esta escrito, no entanto os hebreus percebessem que o sumo sacerdote havia ultrapassado o tempo normal do ritual, poderiam verificar o que poderia ter ocorrido para atrasar ou interromper o ritual. Se a causa para o atraso fosse a morte do sumo sacerdote, outro sacerdote poderia tomar o seu lugar e em seguida dar continuidade à obra (Ex 29.29-30), pois, O Dia da Expiação, não poderia ficar para o dia seguinte, havia uma data certa para acontecer (Lv 23.27).

Assim sendo, fiquemos com as Escrituras e desprezemos os ensinos sectários que adentram no seio da Igreja os quais tem o poder de nos levar além das escrituras (1Co 4.6).

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